Ao observarmos a nossa sociedade, de uma forma geral, notamos uma incidência cada vez maior de pessoas dependentes, compulsivas e viciadas em algo; vícios de ordem química e/ou emocional, ou seja, a dependência a alguma droga psicoativa, lícita ou ilícita e a dependência de comportamentos abusivos e desadaptados.
Quimicamente falando, vemos pessoas dependentes de drogas como o álcool, a maconha, a cocaína, a heroína, até os anti depressivos, os ansiolíticos e outros medicamentos prescritos para emagrecer, para engordar, para melhorar o desempenho sexual, enfim, há medicamentos para todos os gostos.
Emocionalmente falando, se é que dá para fazer essa diferenciação, vemos pessoas totalmente dependentes de outrem, algumas “viciadas em amar”; outras extremamente inseguras e ciumentas, que não conseguem viver sem “espiar” e “controlar” a vida do seu parceiro(a); assim como pessoas compulsivas por compras, por jogos, por sexo, por esportes; algumas que realizam rituais estranhos e repetitivos, entre outros comportamentos estranhos, bizarros e, por vezes, assustadores..
Diante desse cenário tão “viciante”, deveríamos procurar compreender qual é o sentido desse modo de vida tão comprometido, sem qualidade e que tanto nos surpreende; o que o ser humano busca com essas atitudes, ou do que está fugindo.
Numa sociedade cada vez mais competitiva e consumista, onde os valores estão passando por uma transformação, vemos pessoas cada vez mais preocupadas com o seu status, frente à sociedade. Consomem de uma forma desenfreada, numa louca tentativa de alívio para as suas angústias. Caso não adquiram o celular de última geração; o computador mais sofisticado; a bolsa da próxima estação; o carro do ano que vem, sentem-se defasados, excluídos, rejeitados pelos demais... e acreditam que consumindo loucamente, obterão um pouco de tranqüilidade, pelo menos por pouco tempo... mas, em vão... logo sentem-se angustiados novamente e,de novo se inicia um ciclo de compras e comportamentos absurdos.
Eis aí uma nova linha de conduta, em cima de uma fantasia irracional, que os leva a um comportamento viciante....
A busca exagerada de um prazer ilusório, aliena as pessoas. O ganho e o acúmulo valorizados em nossa estrutura social, paralisa o ser humano. Acredita-se necessário substituir o sofrimento gerado pela angústia, por algo prazeroso e de efeito imediato. Tudo passa a ser descartável, desde os objetos de consumo, até as relações humanas, tanto com o mais próximo ou mesmo com o mais distante.
Numa sociedade mais adaptativa que evolutiva, o sofrimento e a morte são negados e, o olhar é direcionado apenas para o mundo exterior.
Penso que na instalação dos nossos vícios de cada dia, a saída que se acredita como a mais “conveniente” e “menos ameaçadora”, é buscar os anti depressivos que têm a função de dar continuidade e de reforçar ainda mais este olhar “para fora”.
Como o próprio nome diz, a depressão é definida como algo voltado para dentro e, olhar para dentro é exatamente o que o ser humano não pretende. Olhar para o mundo interno, é entrar em contato com nossas dores, nossas angústias, nossos sofrimentos. E isso assusta, amedronta, mesmo que nos traga a evolução, enquanto seres humanos.
A evolução envolve a retomada das nossas vidas de forma mais consciente e responsável, revendo e questionando de uma forma crítica os valores impostos pela sociedade.
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