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"A ESCUTA CLÍNICA"

 

Em comemoração aos doze anos de existência do nosso consultório, realizamos no dia 1º de maio de 2010  uma mesa redonda com o objetivo de provocar uma discussão sobre a escuta clínica, como acontece nos consultórios dos diferentes profissionais da área da saúde.

 

Coordenando os trabalhos, e contando com a participação dos profissionais de nossa Clínica de Psicologia, nossa colega psicanalista Maria Cristina Dalia deu início à discussão com a leitura, ainda atual, do texto de Platão, no Livro IV das Leis:

 

" Já observaste que há duas classes de pacientes (...), os escravos e os homens livres?

E os médicos-escravos correm de um lado para outro e curam escravos, quando não os atendem nos ambulatórios. Esses clínicos nunca falam com os clientes pessoalmente nem permitem que eles exponham suas próprias queixas. O médico-escravo receita o que a mera experiência indica, como se tivesse conhecimento exato e, depois que dá as suas ordens, como um tirano, sai correndo com a mesma petulância para ver outro servo doente (...) No entanto o outro médico, que é um homem livre, atende e trata homens livres; faz uma anamnese recuada e entra a fundo na natureza da desordem; trava conversa com o paciente e com seus amigos e, ao mesmo tempo que obtém informações dele, vai lhe dando instruções na medida do possível. Mas não lhe receitará nada até que se tenha convencido (...)"

               

Como convidados estiverem presentes Suzane Kossatz, fisioterapeuta, que enfatizou a escuta com aceitação positiva e incondicional, ilustrando com a sua experiência no CCA, onde todos do grupo aprendem a ouvir o seu próximo, sem julgamentos e com respeito, e o médico Dr. Armando Tamaki, que abordou a escuta clínica no mundo da tecnologia.

 

Importante pontuar as oportunas colocações do também médico, Dr. Newton Gomes, que valorizou o aspecto humanista da escuta clínica, sem julgamento, fundamentada na confiança. 

 

Em nossas discussões, ficou evidente o quanto é fundamental aos profissionais da área da saúde uma escuta isenta e respeitosa, dando o devido espaço àquele que nos procura com suas aflições, dores, angústias e sofrimento, para que possa se expressar livre de julgamentos, nem conselhos, mas acolhimento.

 

Também se ressaltou a importância do ouvido interno, isto é, a necessidade de manter um contato com o eu mais profundo e individual, livre de dogmas, preconceitos e imposições da nossa sociedade.

 

Mais uma vez, ficamos muito satisfeitas com a presença de todos e a calorosa e proveitosa discussão, reafirmando a importância da realização desses encontros.

 

Agradecemos a participação da comunidade na comemoração de nosso aniversário.

 

Grupo "Arte da Escuta"


 

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